Bem vindo ao Cmcas Ecos!
Desde:2003

Recifes de
Corais: ilustres desconhecidos
O desenho animado “Procurando Nemo”, visto por milhares de
pessoas em todo o mundo, deu uma grande contribuição para a
ecologia e para a educação ambiental. A história da aventura do
peixinho com uma barbatana defeituosa no mar australiano retrata
muito bem o ambiente marinho e, sobretudo, o ecossistema chamado
‘recife de coral’. Embora muitos tenham se dado conta da
importância dos corais para a conservação dos oceanos ao
assistir o filme, infelizmente o público em geral ainda conhece
pouco sobre a importância deste singular ecossistema.
Os recifes de corais são ecossistemas marinhos muito ricos em
biodiversidade.
Eles estão para o ambiente marinho como as florestas tropicais
estão para os ambientes terrestres. Ou seja, os dois são os
maiores centros de biodiversidade do planeta. Entre as inúmeras
espécies que vivem nos corais estão os cnidários, as algas, as
esponjas (poríferos), os vermes poliquetos (anelídeos), os
moluscos, os crustáceos, os equinodermos e diversos tipos de
peixes. Para se ter uma idéia, de cada quatro espécies marinhas,
uma vive em ambientes recifais (incluindo 65% dos peixes).
Geologicamente, os corais existem há, aproximadamente, 200
milhões de anos e alcançaram seu nível atual de diversidade
biológica há 50 milhões de anos. A formação desses ecossistemas
aconteceu da seguinte forma: primeiramente animais sem
esqueletos e flutuantes associaram-se à algas microscópicas e
fixaram-se às rochas, formando colônias. Estas colônias são os
corais, que ao se concentrarem formam o habitat marinho recife
de corais.
Por sua rica biodiversidade, os recifes de corais têm
características muito importantes para o equilíbrio ecológico do
ambiente marinho. Além de exportar matéria orgânica e nitrogênio
para suas zonas circundantes, aumentando a produtividade dessas
águas, eles consistem em um importante local de reprodução e de
crescimento juvenil para muitas espécies de peixes. Mas,
infelizmente, na mesma intensidade em que a história evolutiva
formou um ecossistema muito rico em vida, os recifes são
sistemas extremamente frágeis e susceptíveis à perturbação
natural e humana.
Degradação
De acordo com o Global Coral Reef Monitorinng Network – GCRMN ,
uma rede de governos, organizações não-governamentais (ONGs),
institutos e indivíduos que monitoram a saúde destes
ecossistemas, cerca de 27% dos recifes de coral do mundo estão
definitivamente perdidos. Se as atividades predatórias
continuarem no mesmo ritmo, sem nenhuma ação remediadora, o
GCRMN calcula que a parcela de recifes perdidos atingirá o
alarmante índice de 40% até 2010.
A degradação dos recifes de corais está intimamente ligada às
atividades humanas e econômicas. O aquecimento dos oceanos, por
exemplo, resultado de mudanças climáticas, causam o grave
impacto de expulsão de algas, as zooxantelas, que habitam os
recifais. Este efeito se chama branqueamento. Outras causas de
degradação são a poluição das águas, a mineração de areia e
rocha, o uso de explosivos e cianeto (ou outras substâncias
tóxicas) em atividades pesqueiras e a própria pesca predatória e
sem controle em suas áreas.
Para agravar a situação, o impacto ambiental negativo nos
recifes de corais vem acompanhado de uma crise social,
principalmente em relação às populações costeiras. Quase meio
bilhão de pessoas vive num raio de 100 quilômetros de um recife
de coral e muitos dependem deles para alimentação e geração de
renda. Cerca de um quarto do pescado dos países em
desenvolvimento, inclusive o Brasil, é proveniente de áreas de
coral. Na Ásia, este pescado é a base da alimentação de um
bilhão de pessoas. No Brasil, estima-se que cerca de18 milhões
de pessoas dependem direta ou indiretamente desses ambientes.
Vale também ressaltar que os recifes de corais também protegem
as praias da erosão e ajudam a produzir as areias finas que as
tornam atraentes para o turismo, uma importante fonte de receita
de muitos países tropicais. Em geral, os bens e serviços gerados
pelos recifes foram avaliados, com dados de 1997, em US$375
bilhões anuais.
Ocorrência no Brasil
e no mundo
Embora se encontrem corais em todos os oceanos, somente nas
águas tropicais se desenvolvem os recifes. Eles são comuns na
costa leste da África, no oceano Índico, no Atlântico e no
Pacífico, especialmente na costa das Filipinas, Papua Nova
Guiné, Polinésia, nordeste da Austrália e nas ilhas do leste
australiano até o Havaí, zonas onde a temperatura média anual da
água é superior a 20ºC no inverno. Os recifes estão ausentes ou
são reduzidos nos limites das áreas tropicais, como na costa
oeste da América do Sul e da África, devido às zonas de
upwelling (interface entre o meio marinho e terrestre onde
ocorre elevação de massas de água fria de áreas mais profundas)
e à existência de correntes frias.
No Brasil, os recifes de coral se distribuem por aproximadamente
3 mil quilômetros da costa, do estado do Maranhão ao Sul da
Bahia, mais especificamente Abrolhos, representando as únicas
formações recifais do Atlântico Sul. Nessa área existem nove
unidades de conservação, que protegem uma parcela significativa
do ecossistema recife de coral.
Considerando a importância desses ambientes marinhos e,
infelizmente, as altas taxas de degradação assistidas, o Governo
Brasileiro, através da Diretoria de Áreas Protegidas (DAP –
Ministério do Meio Ambiente) começou, em 1999, a implementar
iniciativas com o intuito de formar uma Rede de Proteção nos
Recifes de Coral. A primeira foi desenvolver um projeto,
juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais –
INPE, de mapeamento dos recifes existentes dentro das diversas
unidades de conservação brasileiras. Este projeto teve como
principal produto o “Atlas dos Recifes de Coral nas Unidades de
Conservação Brasileiras”, uma publicação que foi pioneira ao
disponibilizar mapas do ambiente recifal brasileiro, num total
de 39 cartas.
A segunda iniciativa foi a concepção da
Campanha de Conduta Consciente em Ambientes
Recifais,
cujo objetivo é divulgar regras de conduta a serem adotadas nas
modalidades de turismo que envolvem os recifes de coral. A
terceira iniciativa diz respeito ao estabelecimento do Projeto
Piloto de Monitoramento de Recifes de Coral do Brasil, iniciado
em 2002 e coordenado pela Universidade Federal de Pernambuco,
com apoio financeiro do Ministério do Meio Ambiente
Assim como o peixinho Nemo no desenho, os recifes de corais são
muito ricos em vida, mas também apresentam sua parcela de
fragilidade. Só depende do homem, ao obter informações e colocar
em prática atitudes sustentáveis, evitar que essa fragilidade se
transforme em uma ameaça para o equilíbrio do ecossistema e de
todo ambiente marinho.
Tipos de Recifes
Os recifes aparecem em diferentes tamanhos e formas, dependendo
das condições hidrológicas e geológicas. Os tipos de recifes
mais comuns são atol, recife barreira e recife de franja.
Os atóis têm a forma de um anel emergindo da água profunda,
longe de terra firme, com uma lagoa no seu interior. Existem 425
atóis documentados no mundo e o maior deles é o de Kwajalein,
nas ilhas Marshall, na Oceania.Os recifes barreira e de franja
são muito parecidos. Ambos são adjacentes a massas de terra. A
maior barreira de coral do mundo tem aproximadamente 2 mil
quilômetros e situa-se ao longo da costa nordeste da Austrália.
Fontes:
Ministério do Meio Ambiente, Conservation International e
Naturalink
Leia mais:
Global Coral Reef Monitorinng Network -
http://www.gcrmn.org/
*Matéria publicada no Informativo do Instituto Ecológico
Aqualung março/abril 2006
